O segredo do sucesso.

Se você acredita no título acima, desencana da vida meu amigo. Não tem segredo nenhum é só trabalho duro.

Existem sim, alguns facilitadores, no caso da fotografia posso tentar mencionar algo, mas de maneira alguma é fácil. Inclusive, não sou ninguém para falar sobre isso pois ainda não acho que alcancei o que queria, mas ao menos já tenho a certeza de que: vivo de fotografia e vou viver disso para sempre. Isso sem dúvida nenhuma.

Eu fui, até meus 30 e poucos anos, publicitário. Profissão que aos 10 anos já sabia que teria desde que um cara todo de preto e cabeludo apareceu na minha escola para dar uma palestra na semana de aptidão profissional  - o que é algo ótimo para crianças de 10 anos (estou sendo irônico) - Olhei para aquele cara e pensei: - Quero ser ele! Tipo, foda-se a profissão, eu queria ser cabeludo e me vestir de preto! Estudava em colégio de padre, aquilo era o máximo da transgressão na época!

Enfim, quando descobri a fotografia houve uma passagem de uma profissão para outra, e não foi fácil, pois eu teria que aprender do zero tudo sobre um novo mercado, sobre novas técnicas, sobre como tratar clientes, ou seja, tudo novo. 

Em 2011 dei uma palestra na PUCC juntamente com o Gabriel Wickbold, que é um ótimo fotógrafo, e nessa palestra falei sobre minha mudança de profissão. Algumas pessoas (completamente loucas) talvez muito infelizes com a própria profissão, largaram o que faziam, compraram uma câmera e quebraram a cara. 

Abaixo a série “Sexual Color” do Gabriel Wickbold:

Na época, devo confessar que me senti meio culpado, por ter talvez “floreado” demais a profissão de fotógrafo. Eu recebia diversos e-mails de pessoas que nem conhecia perguntando o que tinham que fazer para “chegar lá.” Que queriam viver de fotografia e não estavam conseguindo.

Bom, isso foi na época. Hoje não me sinto mais culpado, pois de certa forma essas pessoas devem ter me subestimado como profissional, ou como pessoa ou então elas eram tão inocentes e ingênuas a ponto de achar que virar fotógrafo é algo incrivelmente fácil e todos ficaram ricos. Com certeza alguns devem ter partido para outras profissões milagrosas como vender Herbalife por exemplo.

A verdade é que a fotografia é uma profissão incrível. Eu amo o que faço e quando não estou fotografando estou estudando e admirando outros fotógrafos, ou estou procurando outras revistas as quais possa atender, estudando outras maneiras de tratar as minhas imagens, novas tecnologias e por aí vai. Mas para entrar na fotografia e principalmente, se estabelecer como fotógrafo, tem que ralar muito. Tem que comer muito capim verde, tomar muito calote de cliente, escutar muitas “propostas de parceria” onde a parceria é: você trabalha de graça para seu cliente ganhar mais dinheiro, escutar muita gente (e parentes) falando para você procurar uma profissão que realmente dê dinheiro, estabilidade, tem que, como freelancer, matar um leão por dia para garantir o dinheiro para pagar as contas do mês que vem, pois sendo fotógrafo você NUNCA sabe quanto vai ganhar esse mês ou no próximo. Tem que mesmo sem saber quanto vai ganhar, investir milhares de reais em equipamentos de ponta, e de preferência ter dois de cada, pois sempre um vai te deixar na mão na hora do job. 

Me desculpem o desabafo, eu nem ia escrever sobre isso, ia escrever sobre projetos autorais, mas vou deixar para a próxima postagem pois essa já se alongou demais. O importante aqui é vocês saberem que, caso queiram se dedicar a fotografia, dediquem-se por que amam a arte de fotografar, e não para ganhar dinheiro ou ter uma vida fácil, pois não terão. Nunca. Nem Bob Wolfenson, J.R. Duran, Jaques Dequeker, Daryan Dornelles, Jorge Bispo entre muitos outros, têm vida fácil. Fotografia é coisa séria.

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