O bom, o ruim e o feio. (Bom gosto, bom senso e fluxo de trabalho)

Na minha forma de pensar, o bom gosto (em bom senso) na hora de editar suas fotos pode separar um fotógrafo considerado bom de um fotógrafo mediano.

Explico. Falando genericamente, em certa altura da profissão muitos fotógrafos alcançam a técnica necessária para se fazer uma boa foto. Iluminação, composição, direção do modelo (se houver), escolha do assunto, color grade, etc., é fácil de se adquirir com o tempo e experiência, ainda mais com a quantidade de canais de comunicação e informação que temos a disposição atualmente. 

O que não se aprende é ter bom gosto e/ou bom senso na escolha de um ensaio/sessão. Vejo por aí, diversos fotógrafos que criam suas contas em sites de compartilhamento de imagens postando ensaios como portfólios que contém 50, 60 fotos do mesmo ensaio. As vezes, até tenho impressão de que eles enviam diretamente do cartão da máquina as fotos para esses sites.

Quando digo bom senso, me refiro ao número de fotos. Tente reduzir ao máximo o número de fotos que quer mostrar de determinado ensaio ou sessão (estamos falando de portfólio). Entendo a ansiedade de mostrar o que você fez para o mundo, porém, a grande sacada do bom fotógrafo é mostrar apenas as boas fotos. 

Nova York, 2011

Nova York, 2011

Nova York, 2011

Tóquio, 2014

Tóquio, 2014

Tóquio, 2014

Todos fazem fotos ruins, é normal. Annie Leibovitz diz em seu documentário ”Life through a Lens” que sua vida mudou quando sua companheira Susan Sontag lhe ensinou a importância da edição das fotografias. Veja, aqui, a palavra edição na conotação de escolha das fotos e não de tratamento como muitas pessoas utilizam.

Leibovitz diz que ao escolher fotos é muito mais importante e difícil do que as fazer. E eu concordo plenamente. As vezes um simples objeto fora do lugar em segundo plano pode estragar uma foto. Pelo menos para mim. 

No meu fluxo de trabalho, costumo fazer as fotos e dar uma olhada geral (ainda sem escolher nenhuma) no mesmo dia que fiz as fotos. No dia seguinte, vou escolhendo as fotos que ficaram boas de uma maneira genérica, excluindo as que ficaram fora de foco sem querer, cortes errados, caras feias, piscadas, etc. Depois de 1 dia, retorno a essas fotos, fazendo um pente fino e escolhendo as fotos que julgo serem as melhores para o meu cliente. Ainda sim, um dia depois, retorno e faço a última edição, escolhendo agora sim apenas as fotos que serão enviadas.

No meu mercado de trabalho, retratos, meus clientes utilizam de 1 a 5 retratos no máximo. Dificilmente utilizam mais que isso. Para este número final de fotos, sei que 30 a 40 fotos boas são o suficiente para ele (ainda sim, editar) escolher as 5 melhores. O ensaio para esse número de fotos, costuma ter de 150 a 200 fotos no máximo. As vezes bem mais, as vezes bem menos, isso depende de quanto tempo o retratado (ou eu) temos disponíveis para o ensaio. Mas o importante é que eu mando apenas fotos que julgo que são boas o suficiente para que meu nome como autor não seja “manchado” por uma foto mal feita. E para mim, todo cliente, menor ou maior, tem a mesma importância na hora da edição. 

Falei até aqui apenas sobre o fluxo de trabalho e sobre o bom senso para a escolha e envio das fotos para o cliente. Agora faltou algo importante, o bom gosto. 

O bom gosto não se ensina. Acho que isso vem (eu sempre falo isso) com sua experiência de vida. As músicas que você gosta, os livros que você leu, os filmes, séries, artistas, fotos, viagens, enfim, tudo o que você fez e faz na sua vida é o que vai ou não fazer com que o seu gosto seja definido. Lógico, bom gosto é algo relativo. O que para mim pode ser horrível para você pode ser lindo. Dois exemplos: Romero Britto e Crocs. Tem gente que gosta. Isso não significa que os que gostam estejam errados ou não, inclusive ele não vende tanto a toa. Porém, não é o tipo de arte que eu compraria ou o tipo de calçado que eu usaria. 

Enfim, tudo isso apenas para dizer que, seu sucesso, além da divulgação do seu trabalho, além dos seus contatos profissionais e sua capacidade de venda, depende também da sua habilidade em saber escolher quais são as suas melhores fotos para expor para seus possíveis clientes (sejam eles quem forem).

Portanto amigos, ao elaborar um portfólio, façam com parcimônia.

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